sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Cansaço, até um pouco de desmotivação... mas enfim, fim de ano está aí. Vamos aos preparativos que antecedem a data mais linda do ano NATAL.
Opções de enfeites natalinos feitos a partir de materiais recicláveis.


domingo, 7 de outubro de 2012


O africanista do Brasil

Próximo de completar 80 anos, o historiador, diplomata, ensaísta, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras, Alberto Costa e Silva fala sobre a necessidade de restaurarmos a importância da África na formação da história e da cultura brasileira
Shutterstock


O mais conhecido e cultuado quadro do pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003), tem um sugestivo e poético título: Eu vi o Mundo... ele começa no Recife, e serve como metáfora para a maneira como Alberto da costa e Silva foi tomando conhecimento sobre o mundo, que chegava a ele por meio dos livros. "cresci entre livros e o mundo me foi sendo apresentado a partir do momento que abria as suas páginas", disse Alberto à RAÇA Brasil. E foi a partir da leitura de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, que o maior especialista Brasileiro sobre o continente africano, particularmente a África, se interessou pela história e pela cultura daquele continente e do seu povo. Dessa leitura e de outras que vieram no decorrer de sua vida, ele procurou entender a importância da África para construção da nação brasileira. Segundo ele, tal fato sempre foi negligenciado no ensino da História do Brasil.
Você foi leitor e admirador de Gilberto Freyre. E foi Casa Grande & Senzala que abriu seus olhos para a história da África, em 1947. A obra do autor ainda merece tanta atenção? E por que ele ficou conhecido, injustamente, como o criador do mito da "democracia racial"? 
Há muito equívoco em relação a esse termo, supostamente criado por Gilberto Freyre. Mas não é verdade que ele o cunhou. isso já havia aparecido nos escritos de um dos maiores antropólogos brasileiros, Arthur ramos. O que aconteceu é que Freyre, que fez seus estudos de doutorado nos Estados unidos nos anos 20, percebeu que a discriminação racial nos Estados unidos era mais violenta do que a brasileira, muito em função da miscigenação que aqui ocorreu, diferentemente dos Estados unidos. Em Casa Grande & Senzala, ele denunciava a violência, que fora a nossa escravidão. O que dizia, apropriadamente, era que aqui no Brasil tínhamos uma forte inspiração para uma democracia racial, que eu acredito piamente que algum dia isso acontecerá. E, realmente, como você mesmo falou, desde aquele dia, em 1947, quando abri as páginas de Casa Grande & Senzala, não tirei mais a atenção a tudo que era relacionado à África, o que naquela época era muito escasso, pois quando encontrava alguma coisa era uma felicidade indescritível. Em relação à importância e ao interesse sobre a obra de Gilberto Freyre não há o que discutir. Ele sempre será atual e muita das coisas que pesquisou e escreveu vão merecer a atenção de todos aqueles que se interessam pela compreensão mais exata da história social do Brasil.